Livro: Expresso 25 – 50 anos, por Angélica Boff

Este livro foi realizado com o incentivo da Lei Rouanet e com o patrocínio da Stihl.

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  • Todas as imagens foram retiradas do livro 50 anos Expresso 25.  Clique nas imagens para ampliar.

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A PESQUISA

Há 50 anos o Coral Misto 25 de Julho de Porto Alegre, atual Expresso 25, vem construindo parte da identidade da música coral do sul do Brasil, contribuindo com o cultivo, estudo, ensino e divulgação da música no país e no mundo. No início de 2014, os ex-integrantes Susana e Olavo Fröhlich, participando ativamente do cenário artístico e cultural do estado do Rio Grande do Sul, iniciaram projetos de comemorações do cinquentenário deste grupo. Um destes projeto é a pesquisa da história do coral, e a escrita de um livro, para o que fui chamada.
Já desde as primeiras reuniões com os proponentes deparamo-nos com um arquivo inteiro de documentos relativos ao Coral, reunidos e organizados ano a ano em grandes pacotes de papel pardo. Cerca de dez pacotes com todos os tipos de documentos, recordações e registros: documentação administrativa, musical, fotografias, diários, livros de atas e presença nos ensaios, diários de viagens, circulares, recortes de jornais que perfazem uma verdadeira coleção de imprensa, folhetos, programas de espetáculos e festivais, textos de apresentação de shows, jornais da FECORS, do Centro Cultural 25 de Julho e outras publicações, uma coleção de cartas de contato e intercâmbio com corais, instituições, empresas e governos e, enfim, a discografia completa do grupo. Além desta documentação, por ocasião estão sendo produzidos depoimentos escritos e orais dos coralistas e ex-coralistas para o livro e o documentário dos 50 anos.
A documentação mais recente, respectiva ao Expresso 25, encontra-se encadernada, já mais organizada não só cronologicamente, como de acordo com tipo de material: releases, clipping de imprensa, currículos, projetos culturais do grupo, viagens… tudo em cerca de outras dez caixas e pastas. São documentos que contém também outro perfil, mais prático e burocrático, menos “bilhetinhos criativos”. Talvez relativos a uma época em que os registros mais humanos e sociais do grupo constem em plataformas documentais de novas tecnologias, sobretudo a internet: blogs, sites, trocas de e-mails, e redes sociais.

O material cuidadosamente mantido não passou ainda por uma organização arquivística, mas assim mesmo chama a atenção o cuidado e manutenção com os documentos ao longo de cinco décadas, pelas quais já passaram diversas gerações e cerca de 600 pessoas. Com este material e o interesse e comunicação vívido e ativo do grupo, estamos realizando a pesquisa para o livro e documentário comemorativo do seu cinquentenário.

O LIVRO

Uma boa história é aquela que instiga, que nos faz pensar para além dos acontecimentos, que nos faz buscar respostas para perguntas. Em nosso entender, esta pesquisa requer do historiador o exercício de sensibilização para captar o espírito, o imaginário e sensibilidades dos grupos sociais que são seu objeto. Com este ponto de vista, o livro dos 50 anos do Expresso 25 será composto também de memórias dos coralistas, que poderão dar o tom de tantos sentimentos e experiências viscerais de sua atividade que funde a música com a vida.
Para essa pesquisa levantamos algumas questões de base:

1) Quem eram e quem são os integrantes do Coral? Qual o seu perfil?
2) Como se processaram as mudanças deste perfil ao longo das cinco décadas? Quais os caminhos escolhidos em cada etapa, pelos coralistas, e por quê? Há caminhos de práticas sociais e também artísticas. Essas escolhas significam vivências e um certo tipo de música que representa o imaginário destas pessoas.
3) E com isto, podemos identificar também o que o Coral 25 representou no meio cultural e social, em cada época. Concluindo, uma pergunta salutar seria “que imaginário sonoro do Brasil” o “25” representa?

Ao longo de um ano de conhecimento do material documental, fomos identificando respostas para estas perguntas. Essas explicações são completamente distintas para cada época vivida pelo Coral. E neste processo, também foi possível identificar algumas características do grupo e especificar mais perguntas e respostas.

Identificamos três fases da vida do “25”:

1) Um Coro Juvenil (1964-1976)

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2) Um Coral maduro e erudito (1977-1996)

 

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3) A chegada de um trem, o “Expresso 25” (1996-2015)

 

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Ao ser fundado em 1964, o Coral Misto 25 de Julho de Porto Alegre era composto de jovens e adolescentes, todos eles filhos de sócios do Centro Cultural 25 de Julho desta cidade e integrantes do que chamavam a Ala Moça do Clube. Os Centros Culturais 25 de Julho existem em diversas cidades do RS, SC e PR, sendo sociedades similares entre si, instituídas no formato de clubes sociais e com o intuito de cultivar a “tradição alemã”, esta tradição teutobrasileira que se formou com a imigração alemã no sul do Brasil. Estes centros culturais praticam também intercâmbio cultural e social, bem como apoio mútuo. A tradição cultivada pelos CC 25 de Julho tem praticamente toda sua dedicação e objetivos direcionados à cultura intelectual e artística, não a esportes como em outras sociedades também de origens alemãs.

Mas desde seu princípio este grupo demonstra uma identidade que agrega outros elementos sociais, para além da identidade teutogaúcha. E esta multiplicidade também se reflete na música produzida por eles.

Em meio a muita disciplina, mas também uma ludicidade peculiar, o cerne do Coral 25 de Julho amadurece, realizando proezas impensadas para as décadas de 1970 e 1980, como grandes tournées que são verdadeiras epopéias. E, é claro, para isto, há um grande e contínuo aprimoramento de sua arte, divulgada em todo Brasil e na Europa.
A integração do grupo é tão grande, e sua atividade tão visceral, que dali se formaram grandes artistas – cantores líricos, músicos, compositores – conhecidos internacionalmente. E em meio a isto também famílias se formam, e posteriormente, muitos filhos destes casais do 25 de Julho também se tornam artistas, seja da música, da dança ou do teatro…
Quando é chegada a participação dessa segunda geração, agregada a outros novos integrantes também, muitas águas passaram e o feitio, a identidade do grupo se transformou. Entre fazeres e refazeres musicais, buscas e estudos, eis que surge um novo conceito de estudo da música. Agora, através da MPB, uma nova escola de música que veio sendo construída e aceita na nossa sociedade concomitantemente à história do “25”. Com o ingresso de Pablo Trindade no grupo em 1996, e a chegada desse Expresso, o mesmo grupo musical constrói a identidade de uma nova música popular brasileira, com a cara do “25”.

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