Uma história de 50 anos

por Olavo Fröhlich

Primeiro registro do Coral Misto 25 de Julho de Porto Alegre. Maestro Aloisius Staub – 1965.

 

Em 1964, no Centro Cultural 25 de Julho de Porto Alegre, existia um departamento de jovens bem estruturado, que desenvolvia atividades nos fins de semana, em especial as reuniões dançantes. Nesse contexto foi inserido um projeto cultural: foram criados um grupo de danças alemãs e um coral misto, que fez seu primeiro ensaio em 27 de junho de 1964.

No embalo do Festival de Coros de Porto Alegre, que estava surgindo nesta época, e que depois se tornou o grande Festival Internacional de Coros, o recém-criado Coral Misto 25 de Julho de Porto Alegre obteve o reconhecimento do público, acendendo o desejo de aprimorar e continuar o trabalho.

Divulgação da primeira viagem à Alemanha. Maestro Aloisius Staub – 1971.

Josefina Hess iniciou os trabalhos de ensaios. Quatro meses depois assumiu Aloisius Staub que permaneceu até 1972. A marca de seus oito anos foi a canção folclórica, especialmente alemã. Músicas vibrantes, próprias para jovens cheios de entusiasmo, que foram mostrando seu trabalho pelo Rio Grande do Sul e outros estados. Em São Paulo gravaram o primeiro LP, “Die Jugend”, título extraído da música carro-chefe de suas apresentações. Aventuraram-se pela Argentina, Paraguai e pela Alemanha, ousadias que fortaleceram o entusiasmo juvenil e marcaram as gerações futuras. Cantar e viajar eram o fermento do dinamismo das mentes dos cantores. Nove longas turnês pela Europa, outras tantas pela América do Sul, inúmeras pelo Brasil, inscreveram-se na história dos 50 anos.

Ao maestro Hermes de Andrade foi dada a incumbência de “abrasileirar” os ritmos e o repertório. Seus dois anos de trabalho renderam o segundo LP, gravado na capital. Otto Follmann deu seguimento ao trabalho por dois anos.

O Festival de Coros de Porto Alegre, com o desfile de excelentes coros da Europa, América do Sul e Brasil, passou a gerar parâmetros a serem alcançados. Recém-chegado de pós-graduação na Alemanha, assumiu os trabalhos o maestro Nestor Wennholz. Seus treze anos à frente do grupo trouxeram o erudito, o repertório clássico, dos compositores mais importantes da música coral, sem abandonar temas regionais como Charqueadas e Piquete do Caveira, que marcaram época. Resultaram dois LPs, um compacto duplo de músicas natalinas e uma fita cacete com repertório gauchesco.

O Festival de Coros de Porto Alegre, com o desfile de excelentes coros da Europa, América do Sul e Brasil, passou a gerar parâmetros a serem alcançados. Recém-chegado de pós-graduação na Alemanha, assumiu os trabalhos o maestro Nestor Wennholz. Seus treze anos à frente do grupo trouxeram o erudito, o repertório clássico, dos compositores mais importantes da música coral, sem abandonar temas regionais como Charqueadas e Piquete do Caveira, que marcaram época. Resultaram dois LPs, um compacto duplo de músicas natalinas e uma fita cacete com repertório gauchesco.

Manfredo Schmiedt, então maestro muito jovem, hoje um dos regentes da OSPA e da Orquestra da Universidade de Caxias do Sul, deu seguimento, priorizando o repertório sinfônico mesclado de peças desafiadoras como Debussy, Bruckner e belíssimos Brahms. Muitas obras foram apresentadas, em conjunto com outros coros e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. O “Oratório de Natal” de Camille Saint Saëns foi o primeiro CD lançado pelo grupo.

Pablo Trindade, maestro uruguaio, que encantou os porto-alegrenses com a Suíte Montevidéu, foi convidado para continuar os trabalhos. Seu imenso gosto e conhecimento da música popular brasileira, suas dezenas de arranjos maravilhosos, mudaram em pouco tempo o repertório. O popular brasileiro passou a ser a tônica, exigindo, além da voz, acréscimos significativos de expressão corporal, dramatização de personagens, luzes, cenário, ritmos,  percussões e criatividade abundante em arranjos. As apresentações se tornaram espetáculos, abrangendo um universo artístico mais amplo. “Coração Brasileiro”, “Brasil 500 – Venha nos Descobrir”, “Expresso 25 MPB Vocal em Cena”, “Imaginário Sonoro do Brasil”, “Pulso – O Movimento do Som”, “Cantando em Bando” e “Expresso 25 a La Carte” passaram pelos palcos sul-americanos e europeus. A nova estética aproximou e oportunizou trabalhos conjuntos com artistas e compositores reconhecidos como Hermeto Pascoal, Guinga e Celso Viáfora.

Quatro CDs foram gravados com Pablo Trindade em 18 anos de trabalho, cujas músicas tocam frequentemente em nossas rádios, especialmente a FM Cultura, e prêmios que foram conquistados em festivais e no Açorianos de Música.

São 50 anos de história vividos por mais de 600 integrantes. Seu imenso nome inicial Coral Misto 25 de Julho de Porto Alegre encurtou um pouco para Coral 25 de Julho de Porto Alegre e, rebatizado em 2003 como “Expresso 25”, levou adiante a mesma história e o mesmo entusiasmo iniciados pelos jovens de 1964.

 

 

 

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